“Nomear é respeitar”: ação destaca diferenças entre termos coreanos e japoneses


K-drama: Pretendente Surpresa

Campanha do Centro Cultural Coreano no Brasil ensina o uso correto de palavras e expressões, valorizando a identidade da Coreia do Sul

O Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB) lançou a campanha “Nomear é respeitar”, uma iniciativa voltada à valorização da cultura sul-coreana e ao uso adequado dos termos relacionados ao país. A ação, que segue até 20 de outubro, está sendo divulgada nas redes sociais com conteúdos educativos sobre língua, identidade e respeito cultural.

A proposta surge para corrigir confusões muito comuns, como chamar K-dramas de “doramas”, ou confundir o tradicional hanbok coreano com o quimono japonês. De acordo com o diretor do CCCB, Cheul Hong Kim, pequenos erros de nomeação podem parecer inofensivos, mas afetam a forma como o público reconhece a diversidade asiática. “Chamar o gimbap de sushi ou o hanbok de quimono apaga a singularidade da nossa cultura e das nossas tradições”, explica.

A campanha coincide com o Dia do Hangul, celebrado em 9 de outubro, data em que a Coreia do Sul comemora a criação de seu sistema de escrita — símbolo de independência e identidade nacional.

Dorama japonês: Um caso de amor incurável


Aprendendo as diferenças

Entre os termos que mais geram confusão estão alguns que já se tornaram populares no Brasil, mas são usados de forma incorreta. A campanha busca esclarecer:

  • K-drama (não dorama): o termo oficial para as séries coreanas, reconhecido internacionalmente. “Dorama” é a palavra japonesa para produções do Japão.

  • Hanbok (não quimono): traje tradicional da Coreia do Sul, caracterizado por cores vivas e linhas fluidas, em contraste com o quimono japonês, mais estruturado.

  • Webtoon (não mangá): quadrinhos digitais coreanos, feitos para leitura vertical e geralmente coloridos.

  • Jeotgarak (não hashi): palitinhos metálicos, achatados e reutilizáveis, usados na Coreia.

  • Gimbap (não sushi): rolinho de arroz temperado com óleo de gergelim e recheado com vegetais ou carne, diferente do sushi japonês, que leva vinagre e peixes crus.

  • Ramyeon (não lámen): macarrão instantâneo coreano, picante e prático, enquanto o lámen japonês é artesanal e de preparo mais elaborado.

Outros exemplos incluem o soju (bebida destilada coreana, diferente do saquê japonês), o ganjang (molho de soja fermentado por mais tempo que o shoyu) e o doenjang (pasta de soja mais encorpada e salgada que o missô).

Um guia para o respeito cultural

Para aprofundar o aprendizado, o CCCB disponibilizou gratuitamente o “Guia de Uso dos Termos Relacionados à Cultura Coreana”, com explicações detalhadas e curiosidades sobre cada expressão. O material pode ser acessado online até o fim da campanha.

Mais do que ensinar palavras, a ação propõe um gesto de respeito. Ao reconhecer e usar o nome correto, valoriza-se o significado de cada cultura. Como resume o lema da iniciativa: nomear é respeitar.

C-drama chinês: Amor entre fada e demônio

E os dramas chineses?

Assim como a Coreia do Sul tem os K-dramas e o Japão os doramas, a China também possui produções seriadas com identidade própria, conhecidas como C-dramas (Chinese dramas).
Os C-dramas abrangem séries produzidas tanto na China continental quanto em regiões de língua chinesa, como Taiwan e Hong Kong.

Eles têm características bem distintas: costumam ter enredos mais longos, tramas históricas ricas em referências culturais e forte presença da estética tradicional chinesa — como figurinos detalhados e cenários inspirados em dinastias antigas.

Por isso, usar o termo correto — C-drama, K-drama ou dorama — não é apenas uma questão de nomenclatura, mas de reconhecimento cultural. Cada um representa uma parte específica da Ásia e carrega sua própria linguagem, história e valores.

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